Site DCI - São Paulo/SP - 26/03/2018

Monitoramento ambiental reduz riscos de emergência em oceanos

ANGELA FERREIRA

SÃO PAULO

Qualquer tipo de derramamento de petróleo nos oceanos é considerado uma catástrofe ambiental, pois o óleo derramado se espalha pela superfície da água formando uma camada superficial que impede a passagem da luz, afetando a fotossíntese e destruindo o plâncton. Essa fina camada que se forma também impede a troca de gases entre a água e o ar. E, quanto mais se demora para adotar medidas de contenção do vazamento, maior é o estrago e o impacto que o acidente deixará no meio ambiente.

“Calcula-se que o vazamento recolhido em até 24 horas gere prejuízos na ordem da milhar do dólar. Quando a demora para tomar medidas de contenção acontece em até 48 horas, os danos são de milhões de dólares. Quando as ações levam a partir de 72 horas, os prejuízos são incalculá-veis”, explica Guilherme Brechbuhler de Pinho, CEO da Fototerra, empresa que se tornou referência internacional no monitoramento digital com inteligência.

Quando surgiu, em 1993, a empresa oferecia serviços de mapeamento topográfico. De forma simples: uma variedade de mapas de larga escala que se caracterizam pela detalhada representação do relevo. Um exemplo deste tipo de material são os gráficos de rotas observados em sites de pesquisa. Analisando o mercado, os gestores perceberam que se investissem no aprimoramento de seu sistema tecnológico, poderiam incrementar a receita da Fototerra ao oferecer serviços mais qualificados.

Com o apoio da Desenvolve SP, a instituição do governo paulista que financia o crescimento das pequenas e médias empresas (PMEs), a Fototerra adquiriu câmeras, sistemas de laser aéreo de última geração e até uma aeronave de pequeno porte. A integração de todo esse sistema, permite a empresa hoje oferecer monitoramento ambiental em tempo real. Isto acontece porque as câmeras instaladas na aeronave possuem sistema de monitoramento digital que avaliam a estrutura das partículas expostas no oceano e transmitem na mesma hora a informação para o centro de emergência, em terra, responsável por aquela área onde o vazamento foi identificado.

“Muitas das empresas de monitoramento, quando avistam uma mancha no oceano, informam o surgimento de algo que ‘pode ser’ óleo. O nosso equipamento consegue mapear, definir a extensão de um dano, calcular o volume deste dano, definir o tipo de contaminante, e mandar esta informação em tempo real para um centro de emergência. Ou seja, nós conseguimos afirmar, com precisão, se aquela mancha é realmente óleo que vazou no oceano ou não e isso faz a grande diferença não apenas na conservação do meio ambiente, mas também para reduzir os danos de um vazamento e, principalmente, prevenir riscos de emergência”, comenta Pinho.

Ter esta análise de mercado foi essencial não apenas para conquistar novos clientes, mas também para a perspectiva de existência da empresa. Segundo especialistas, o grande desafio para as empresas, não importa qual seja o porte dela, é inovar justamente no seu modelo de negócios, de forma constante, seja em melhorias de produtos, processos ou serviços; ou até mesmo de gestão de pessoal. “Estar em ambiente de constante atualização é o que efetivamente configura inovação”, dizMilton Luiz de Melo Santos, presidente da Desenvolve SP.

Ainda segundo o executivo, a inovação deve ir além da redução dos custos e da maximização de lucros. “Empresas realmente inovadoras são aquelas capazes de contribuir para a geração de benefícios mútuos para o próprio negócio, o meio ambiente e a sociedade”, ressalta.

Pequenas mudanças, grandes transformações

Em sua estrutura, um carro fabricado em 1910 não é muito diferente dos modelos atuais: todos possuem volante, quatro rodas e motor. A diferença dos carros do século passado para os dos anos 2000, mais do que na estética da funilaria, encontra-se principalmente na segurança e tecnologia que os automóveis de hoje apresentam.

“Todas essas melhorias não aconteceram da noite para o dia. Foram processos implementados aos poucos. E é exatamente isso o que é inovação: mudanças que são implementadas de forma contínua e gradual”, explica Carlos Vital Giordano, consultor e professor de pós-graduação da FAAP.

Implantar e manter uma cultura de inovação que alimente o processo criativo dentro das empresas, contudo, não é tão complicado assim. Independente do perfil da empresa, das tradicionais às super hight techs, o importante é criar o ambiente certo para que as ideias possam ser apresentadas e incentivadas. “É o ambiente que promove a inovação: as pessoas precisam ser sensíveis para entender a importância das pequenas modificações, mesmo em processos metódicos”, adverte Giordano. “A inovação acontece a todo o momento e se o empresário não está disposto a se manter em constante atualização, as chances de fracassos são enormes”, complementa o consultor.

A colaboração da equipe também é fundamental e quem dá o tom desta melodia é o gestor, indica o professor: “Os gestores são responsáveis por permitir que este ambiente floresça. Para tanto, é preciso escutar ideias, sugestões, e estimular o debate sempre entre todos os funcionários da empresa”.

O analista do Sebrae-SP, Ricardo Oliveira, concorda com o professor da FAAP: “É importante que o funcionário tenha voz dentro da empresa. Muitas vezes, a empresa está procurando uma resposta mirabolante, mas ela pode estar dentro de casa”, adverte.

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