Site Valor Econômico - 30/11/2017

Em busca de diagnósticos mais precisos

Por Paula Pacheco | Da PEGN

Diagnósticos de ponta estão na mira de startups que buscam soluções para a área de saúde. É o caso da Tismoo, que atua em biotecnologia. Fundada em abril de 2016, em São Paulo, a empresa é pioneira mundial no segmento de análises genéticas ligadas ao autismo.

A iniciativa de criar a startup partiu de Marco Antonio Innocenti, que durante seis anos percorreu hospitais em busca de um diagnóstico para a filha, que sofria de uma síndrome neurológica rara. Para ajudar outros pais, decidiu fundar a Tismoo ao lado de sete sócios, a maioria da área científica.

O investimento inicial foi de R$ 3 milhões – R$ 1 milhão em dinheiro e R$ 2 milhões em aportes de patentes dos cientistas que integram a sociedade. “As barreiras para empreender nessa área são muito grandes. A pesquisa científica demanda investimentos elevados e de longo prazo. Pode-se passar anos pesquisando sem chegar a um resultado satisfatório”, diz Gian Franco Rocchiccioli, um dos co-fundadores da empresa, ao lado de Innocenti.

A startup atua em duas frentes. A principal é a que oferece testes, baseados em sequenciamentos genéticos variados (CGH-array, painel, exoma e genoma), para ajudar no diagnóstico de transtornos relacionados ao autismo. Cada teste custa R$ 4.157. Os sócios também realizam pesquisas genéticas para recriar em laboratório as etapas do desenvolvimento neural.

O objetivo é investigar como as mutações de determinadas células levam a um quadro clínico específico e buscar alternativas para reverter o processo. Para financiar a pesquisa, os sócios estão em busca de aportes: a meta é conseguir R$ 8 milhões até o início de 2018. “Já fomos procurados por alguns fundos”, diz Rocchiccioli. No primeiro ano de operação, a Tismoo teve faturamento de R$ 1,2 milhão.

No caso da Genotyping, fundada no fim de 2008 pela pesquisadora Débora Colombi, a especialidade são os testes genéticos que medem a pré-disposição para vários tipos de câncer. “Alguns desses testes são cobertos pelos planos de saúde, o que garante boa demanda vinda de laboratórios”, afirma Débora.

Outro foco de atuação são os testes de metagenoma, capazes de identificar todos os tipos de bactéria em uma amostra. Entre os clientes, estão empresas de beleza que querem medir a eficiência de desodorantes. A startup, que foi incubada na Prospecta, de Botucatu (SP), conseguiu aporte de R$ 4 milhões do Fundo Paulista de Inovação. Em 2017, a Genotyping deve fechar com faturamento de R$ 3,5 milhões.

Um dos exames diagnósticos desenvolvidos pela Onkos, com lançamento previsto para fevereiro de 2018, será capaz de identificar com uma precisão de quase 100% se as células retiradas de nódulos da tireóide são benignas ou malignas. Segundo Marcos Santos, de 33 anos, fundador da startup de Ribeirão Preto (SP), o teste pode reduzir em cerca de 70% as cirurgias desnecessárias de retirada da glândula.

“Com um diagnóstico mais assertivo, é possível diminuir as despesas de cobertura por parte dos planos de saúde e do SUS. Um teste custa 20% do que o plano paga por uma cirurgia”, afirma. O serviço pode ser contratado diretamente pelo paciente ou por laboratórios e hospitais. A previsão é chegar a 500 testes realizados em um ano até fevereiro de 2019. A startup, que negocia aportes com investidores, não revela o faturamento.

Desde 2009, Sandra Faça estuda novas formas de tratar o câncer de mama. O objetivo da startup Veritas, que fundou em Ribeirão Preto, é produzir um anticorpo capaz de inibir uma proteína-alvo envolvida na metástase, evitando a migração celular para outras partes do corpo. Nos estudos realizados em camundongos, o anticorpo se mostrou eficiente na redução do crescimento de tumores preexistentes. A patente foi depositada nos EUA. A próxima etapa são os testes clínicos, que podem durar até cinco anos.

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